2010-10-31
2010-10-20
Passeio Socrático

Achei esse e-mail de André perdido sem ser lido por no meio de tantos, vale a pena lê-lo.
Passeio Socrático
A economia de mercado, centrada no lucro e não nos direitos da população, nos submete ao consumo de símbolos. O valor simbólico da mercadoria figura acima de sua utilidade. Assim, a fome a que se refere Carlinhos Brown é inelutavelmente insaciável. É próprio do humano - e nisso também nos diferenciamos dos animais - manipular o alimento que ingere. A refeição exige preparo, criatividade, e a cozinha é laboratório culinário, como a mesa é missa, no sentido litúrgico.
A ingestão de alimentos por um gato ou cachorro é um atavismo desprovido de arte. Entre humanos, comer exige um mínimo de cerimônia: sentar à mesa coberta pela toalha, usar talheres, apresentar os pratos com esmero e, sobretudo, desfrutar da companhia de outros comensais. Trata-se de um ritual que possui rubricas indeléveis.
Marx já havia se dado conta do peso da geladeira. Nos "Manuscritos econômicos e filosóficos" (1844), ele constata que "o valor que cada um possui aos olhos do outro é o valor de seus respectivos bens.
Portanto, em si o homem não tem valor para nós." O capitalismo de tal modo desumaniza que já não somos apenas consumidores, somos também consumidos.
Ora, se dizem a nós que um aborígene cultua uma árvore ou pedra, um totem ou ave, com certeza faremos um olhar de desdém. Mas quantos de nós não cultuam o próprio carro, um determinado vinho guardado na adega, uma jóia? Assim como um objeto se associa a seu dono nas comunidades tribais, na sociedade de consumo o mesmo ocorre sob a sofisticada égide da grife. Não se compra um vestido, compra-se um Gaultier; não se adquire um carro, e sim uma Ferrari; não se bebe um vinho, mas um Château Margaux. A roupa pode ser a mais horrorosa possível, porém se traz a assinatura de um famoso estilista a gata borralheira transforma-se em Cinderela...
Somos consumidos pelas mercadorias na medida em que essa cultura neoliberal nos faz acreditar que delas emana uma energia que nos cobre como uma bendita unção, a de que pertencemos ao mundo dos eleitos, dos ricos, do poder. Pois a avassaladora indústria do consumismo imprime aos objetos uma aura, um espírito, que nos transfigura quando neles tocamos. E se somos privados desse privilégio, o sentimento de exclusão causa frustração, depressão, infelicidade.
Não importa que a pessoa seja imbecil. Revestida de objetos cobiçados, é alçada ao altar dos incensados pela inveja alheia. Ela se torna também objeto, confundida com seus apetrechos e tudo mais que carrega nela mas não é ela: bens, cifrões, cargos etc.
Outrora, a quitanda, o boteco, a mercearia, criavam vínculos entre o vendedor e o comprador, e também constituíam o espaço das relações de vizinhança, como ainda ocorre na feira. Agora o supermercado suprime a presença humana. Lá está a gôndola abarrotada de produtos sedutoramente embalados. Ali, a frustração da falta de convívio é compensada pelo consumo supérfluo. "Nada poderia ser maior que a sedução" - diz Jean Baudrillard - "nem mesmo a ordem que a destrói." E a sedução ganha seu supremo canal na compra pela internet. Sem sair da cadeira o consumidor faz chegar à sua casa todos os produtos que deseja.
Vou com freqüência a livrarias de shoppings. Ao passar diante das lojas e contemplar os veneráveis objetos de consumo, vendedores se acercam indagando se necessito algo. "Não, obrigado. Estou apenas fazendo um passeio socrático", respondo.
E, assediado por vendedores como vocês, respondia: "Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz".
FREI BETO
2010-10-10


TU
Entraste.
A sério, olhaste a estatura, o bramido e simplesmente adivinhaste:
uma criança.
Tomaste, arrancaste-me o coração e simplesmente foste com ele jogar como uma menina com sua bola.
E todas, como se vissem um milagre, senhoras e senhorias exclamaram:
- A esse amá-lo?
Se se atira em cima, derruba a gente!
Ela, com certeza, é domadora! Por certo, saiu duma jaula!
E eu júbilo esqueci o julgo.
Louco de alegria saltava como em casamento de índio, tão leve, tão bem me sentia.
Vladimir Maiakóvski
"Construiu un mundo exacto
Acabado e perfeito
Cada coisa calculada
Em seu espaço e a seu tempo
Eu que sou um caos completo
Uma entrada uma saída
Uma regra e uma medida
São conceitos que não entendo
E agora está aqui
Querendo ser feliz
Chorando como um menino
O seu destino"
Pés Descalços, S. Mebarak
2010-10-07
NÂO VOTE EM SERRA, VOTE NULO.
Caro leitor,
Eu adoraria que a minha candidata Marina (da) Silva, do Partivo Verde tivesse ganhado. Eu acredito que ela era melhor, que tinha a melhor proposta de governo para o nosso país. Apesar de ter feito escolhar ruins, visto o complicado partido em que está.


2010-10-03
Clichê

Maglore
Composição: Teago Oliveira
Pode ser assim
Como um beijinho de passarinho
De uma leveza perspicaz
Quando eu dou por mim
Eu não estou mais tão sozinho
Tenho a beleza da cidade
É que assim talvez
A vida é boa
E tão a toa custa a acreditar
E tudo que acontece
A gente teme
Na certeza desse caminhar
E quero que você me leve
Do seu jeito e do seu modo
Não quero que você carregue
Nenhum peso pelo medo de gostar
Às vezes de um clichê
Posso ser assim
Um pouco alheio do seu ser
Mas é meu jeito de viver
Nenhuma frustração
Calejaria o coração
Sem essa gana de vencer
E quero que você me leve
Do seu jeito e do seu modo
Não quero que você carregue
Nenhum peso pelo medo de gostar
Às vezes de um clichê
Dica de Fabrício. Obrigado, moço. =D
2010-10-01
É necessário.

"É preciso correr os riscos. só entendemos direito o milagre da vida quando deixamos que o inesperado aconteça.
Todos os dias Deus nos da junto com o sol - um momento que é possível mudar tudo o que nos deixa infelizes.
Todos os dias procuramos fingir que não percebemos este momento, que ele não existe, que hoje é igual a ontem e sera igual a amanhã. Mas quem presta atenção ao seu dia, descobre o instante mágico. Ele pode estar escondido na hora em que enfiamos a chave na porta pela manhã, no instante de silêncio, logo após o jantar, nas mil e uma coisas que nos parecem iguais.
Este momento existe - um momento em que toda a força dasa estrelas passa por nós, e nos permite fazer milagres.
A felicidade as vezes é uma benção, mas geralmente é uma conquista.
O instante mágico do dia nos ajuda a mudar, nos faz ir em busca de nossos sonhos.
Vamos sofrer, vamos ter momentos difíceis, vamos enfrentar muitas desilusões - mas tudo é passageiro, e não deixa marcas. E, no futuro, podemos olhar para trás com orgulho e fé.
Pobre de quem teve medo de correr os riscos. Porque este talvez não se decepcione nunca, nem tenha desilusões, nem "sofra" como aqueles que tem um sonho a seguir.
Mas quando olhar para trás - porque sempre olhamos para tras - vai escutar seu coração dizendo :'o que fizeste com os talentos que teu mestre te confiou?'
Enterraste fundo em uma cova, porque tinhas medo de perdê-los. "Então esta é tua herança: a certeza de que desperdiçaste tua vida"
Pobre de quem escuta estas palavras. Porque então acreditara em milagres, mas os instantes magicos da vida já terão passado."
PAULO COELHO (Na margem do rio piedra eu sentei e chorei)
Obrigado a todas boas coisas pelo milagre concedido. Esse livro me lembra manoel.. =)
2010-09-20
Necessita-se de um milagre
Dos milagres
O milagre não é dar vida ao corpo extinto,
Ou luz ao cego, ou eloquência ao mudo...
Nem mudar água pura em vinho tinto...
Milagre é acreditarem nisso tudo!
Autor: Mário Quintana
Lyrics to By Some Miracle :
(1, 2, 3, 4)
As I gave in to temptation
I've straighten across the line
Keep it under wraps in the cold store
Put it to the back of your mind
Put it to the back of your mind
But by some miracle
I've just got away with it
I've clawed it back again
By some miracle
I've just got away with it
I've clawed it back
I'm crawling back again
As a black dog down in the basement
Is barking out my name
Snapping at my heels when I falter
Kick it but it won't go away
Kick it but it won't go away
But by some miracle
I've just got away with it
I've clawed it back again
But by some miracle
I've just got away with it
I've clawed it back
I'm crawling back again
(Put it back, put it back, put it where you found it)
