Estive caminhando tão distraído que nem me ative às coisas mais óbvias que se atreviam aos meus olhos. Sorria em sua presença, mas é era fruto da paisagem, era parte dela. Fui passando e passando e passando de forma que a vida foi passando junto comigo… Deixei ela passar? Não sei exatamente até onde as coisas podem tomar vida própria e se elas não poderiam ter simplesmente vivido… se eu não “poderia ter simplesmente vivido”.
Eu há pouco fiz 21 anos e isso me parece tão estranho. Uma sensação de que o tempo se adiantou a mim, que fiquei à deriva… à deriva de um mar-sem-fim. Um barco, um naufrago e uma imensidão ao seu redor. E muito tempo, para se pensar. Parar e tentar encontrar uma saída. Uma ilha perdida? Um navio amigo? Um ombro… uma mão… um olhar em plena infinda e escura imensidão.
Voltando hoje no ônibus… Encostei na janela e olhei para fora, bem distante. Mas via dentro de mim. Constatei que já não me reconheço em nenhum lugar por onde ando. Nada é meu. Nada me marca. Nada me apetece.
“Estuve aquí, estuve allá donde las flores vuelan sobre el litoral tempestad donde no estás la luna tiñe de azul el litoral” ( Litoral - Entre Ríos)
O ano está acabando e me parece que não fiz nada. Meu ano (de aniversário já é outro, mas é tão igual... " el tiempo passa y passa y todo es tan igual".
A faculdade nunca esteve tão ruim. Não suporto mais aquela sala, aquele povo todo... aquelas mesmas discussões que não levam a nada. Pessoas vazias em si, mas se acham tão "cheias"... Tanta prova. Um atropelo de conhecimento, um atropelo de vida... um atropelo... Parece que parte de mim nem chega ao campus: uma vai ver o mar, a outra fica a dormir, a outra a cozinhar, a outra a se lavar, a outra a ver o tempo passar, a outra...
Mudei de casa. Tô mudando de vida… Tô mudando?
“Enquanto você
…
Se esforça pra ser Um sujeito normal E fazer tudo igual...
[…]
E esse caminho Que eu mesmo escolhi É tão fácil seguir Por não ter onde ir...” (Maluco Beleza - Raul Seixas)
Era para eu ter tido prova de Penal hoje… Mas mal estudei ontem e mal entendi todo aquele festival de invenção… É tanto crime! Nem sabia que as pessoas faziam-no tanto. Cometiam-no tanto. É tanta necessidade de classificação. Tô cansado de tanto.. Quero o pouco. O canto, o simples, minha casa, minha mãe e meu pai.
Descobri hoje que já não mais me atropelo pelas pessoas. Era um mal em minha personalidade, em especial, diante daquelas que não tinha o mínimo de merecimento. Descobri que rio das minhas sandices de amor. É algo tão perigoso que eu me assusto e rio. Não mais o que eu possa fazer….
Espero que meus pais mudem logo. Que eu posso mudar também. Tenho necessidade de mudanças. Estou mudando. Mudei? Me sinto melhor perto de quem amo. Logo ali do alto consigo ver muitos prédios. E sei nessas casas de “pombos” estão lá guardados. Demorei quase 02 dias para escrever isso tudo… Ando tão nostálgico, tão chato.. tão… tão. Cansei-me tanto tão…
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