2011-09-16

O lago e Narciso


Quase todo mundo conhece a história original (grega) sobre Narciso: um belo rapaz que, todos os dias, ia contemplar seu rosto num lago. Era tão fascinado por si mesmo que, certa manhã, quando procurava admirar-se mais de perto, caiu na água e terminou morrendo afogado. No lugar onde caiu, nasceu uma flor, que passamos a chamar de Narciso.
O escritor Oscar Wilde, porém, tem uma maneira diferente de terminar esta história.
Ele diz que, quando Narciso morreu, vieram as Oreiades – deusas do bosque – e viram que a água doce do lago havia se transformado em lágrimas salgadas.
“Por que você chora?”, perguntaram as Oreiades.
“Choro por Narciso”.
“Ah, não nos espanta que você chore por Narciso”, continuaram elas. “Afinal de contas, todas nós sempre corremos atrás dele pelo bosque, você era o único que tinha a oportunidade de contemplar de perto sua beleza”.
“Mas Narciso era belo?”, quis saber o lago.
“Quem melhor do que você poderia saber?”, responderam, surpresas, as Oreiades. “Afinal de contas, era em suas margens que ele se debruçava todos os dias”.
O lago ficou algum tempo quieto. Por fim, disse:
“Eu choro por Narciso, mas jamais havia percebido que era belo. Choro por ele porque, todas as vezes que ele se deitava sobre minhas margens, eu podia ver, no fundo dos seus olhos, a minha própria beleza refletida”.
Por Paulo Coelho

2011-09-09

Um Corpo


To querendo um corpo pra me manter aquecido
Um que me aguente todos os dias
Os mau-humores
os risos sem motivos aparentes
as verdades nem sempre gritadas
A vontade de quando em quando
estar sozinho.

To querendo um corpo
Nem quem sem em regime de aluguel
Sem prazo definido
Em que eu tenha posse e domínio
do objeto
Mas que também possa fazer benfeitorias


To precisando de alguem,
de um corpo
Nem sei de que jeito é
...
Só sei que será,
ou não.

Amon

2011-09-08

Fernando Wydeman


As vezes a ficha não cai. Simplesmente se passa a possibilidade de que tudo é meramente uma confusão de ideias, de verdades; de que essa verdade que me está sendo apontada é mentira. O cérebro cria um estado de não crer naquilo que se parece mais óbvio. E que é sim, acredite.

Difícil é seguir e saber que a partir de agora os escritos, as bobeiras que saem dessa mente insana não serão mais lidos por você Fernando. Que não haverá mais possibilidade de compartilhar nada. O que aconteceu é finito e para aqui. Daqui adiante os caminhos ganham rotas distintas e infelizmente sem chance de haver qualquer cruzamento. Não neste plano.


Difícil também é elencar todos os bons momentos, todas as suas qualidades. Tenho a impressão de que quando as pessoas partem, vem-nos uma explosão de lembrança com uma nitidez sem igual. Não sei se isso é bom, mas é como se fosse uma despedida, um adeus de outra maneira. Só Deus sabe o quão você é especial para mim e da sua importância em minha vida. E também, só ele é testemunha de como foi duro me afastar de você, porém, era o necessário. Espero que onde estiver que as coisas sejam melhores. Que as orações e os bons pensamentos de todos aqueles que amam você cheguem a ti. É alguém inesquecível, realmente memorável - este plano sentirá sua falta. Eu sentirei muito a sua falta.

To colocando esse vídeo da gente no Aeroclube: Você , Rodrigo, Manoel e eu.




Amon
PS: Que bom que não excluí essa foto, como você queria.


Te dedico essa canção da banda espanhola "La oreja de van gogh", músicas das quais me lembro de você mais gostar.

2011-08-22

A insustentável...

O desenvolvimento que procura satisfazer as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem as suas próprias necessidades, significa possibilitar que as pessoas, agora e no futuro, atinjam um nível satisfatório de desenvolvimento social e econômico e de realização humana e cultural, fazendo, ao mesmo tempo, um uso razoável dos recursos da terra e preservando as espécies e os habitats naturais
A insustentável leveza do Ser - M. Kundera

2011-08-08

2011-08-02

Nada

Tu?
Não vales nada!
Es a escória de todo um povo
louco e sandio.

Tu?
que adiante não serás lembrado
pelos teus semelhantes
Que não tem nem o sangue de infante
Que não es nada
de nada.


Então,
Tu jovem sonhador,
Que farás agora?
Que em tempo de meia hora
Hás de correr o mundo
mais rápido que o segundo.

Que não tens nada a perder
Pois não é do teu querer
Ser mais do que um vagabundo.

Em dias de lutas massantes
Em dias de coros corridos
Em dia de sol agoniante
Tens os olhos tolhidos.

Não há o que perder
Porque não há nada em ti - senhor.
Basta um tal de querer,
Por que não consentir?

Amon

There´s a club