2009-10-15

Branco papel

Branco papel

Há apenas um papel diante de mim e janelas que abrem e fecham, que se batem em meus pensamentos. Muitas realidades a seguir, muitas realidades a perceber e um branco papel a ser preenchido.

Rabisco e penso se há a necessidade de se continuar naquele contorno ou se deixá-lo como está seria mais ponderado. Meus dedos vão escorrendo de lá para cá sucessivamente, já nem sei mais onde estou. Já existem lágrimas em meu rosto que mancham aquilo que escrevi sob a pureza do branco.

Paro e repenso acerca de tudo que foi posto. Uma vida cheia de diminutos, taciturnos sorrisos e um sentimento maior do mundo. As lágrimas são insistentes em correr e todo o carvão do meu lápis embrenha-se em si, sujando de todo o branco papel.

No final, já não há papel, nem escritos. Borrões. Manchas de todo um tempo que passou e se resolveu escrever. De certo, ainda há - em algum lugar - um branco papel a solicitar preenchimento.

Amon Paiva
Sem data conhecida.

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